Todos mortos

19/09/2020 14:18

"O paulista (bandeirante) se interna em partes e desertos de sertões muito prolongados. Embrenha-se até no reino de Camã e nas partes do Peru. Não pode prever quando virá de tornavolta. Passam-se às vezes seis, sete e até dezoito anos, sem que na vila (de São Paulo) se saibam partes dos que um dia se foram à guerra da Parnaíba, como Francisco da Gama, ou para as minas, como José Vieira. Só depois de muito tempo é que chega a notícia de ser o expedicionário falecido no decurso de sete anos, conforme o afirmam e juram número de testemunha de esperiência que bem sabem o risco e perigo do sertão. Ou vem uma certidão do cura beneficiado deste assiento de minas de Potosi y sus anexos en la provincia de los Chicos de Peru ou de outro lugar mais remoto a atestar a morte de um morador en el Brasil en el logar de San Pablo, como sucedeu com Antônio Castanho. De outros, nem isso. Ao cabo de algum tempo abre-se a sucessão. É o que se dá com Antônio Nunes, por quanto não há novas da gente que foi na companhia de Martim Rodrigues e de se terem todos por mortos."

 

Alcântara Machado (1901-1935), jornalista, escritor e historiador brasileiro em Vida e morte do bandeirante
 

 

 

 


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