Seremos nós, brasileiros, dados a macaquices?

19/10/2018 16:20

"Se os intelectuais do economismo não conseguem ir além da subdesenvolvida concepção da sociedade lucrativa às custas do abandono e do banimento de milhões de brasileiros, melhor é procurar socorro teórico em outras fontes. Há séculos as ciências criaram sua resistência ética e propriamente científica à banalidade do meramente útil e lucrativo. Deveriam criá-la também aqui. A condição humana não se reduz ao lucro a qualquer preço nem com ele se confunde. O lucro é um epifenômeno, um resultado secundário das conquistas sociais. Os países ricos só o são porque a educação os fez culturalmente ricos e socialmente justos. Não estamos conseguindo ir por aí. Queremos imitar os países ricos e dar o salto da iniquidade que minimiza a sociedade para maximizar a economia. Queremos imitar porque os que mandam em nós acham que a macaquice da imitação substitui a diligência do esforço, do estudo, do trabalho. Macaquice não é ciência nem é criação."

 

José de Souza Martins, sociólogo e membro da Academia Paulista de Letras, em artigo E os pobres?, publicado no caderno EU&Fim de Semana, do jornal Valor de 19/10/2018


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