Reconciliar-se com o que existe

02/10/2018 02:29

"Digamos simplesmente ser o niilismo aquilo que se deve, por sua vez, negar, se quisermos , partindo da lógica segundo a qual duas negações valem uma afirmação, reencontrar o real, lamentar um pouco menos, esperar um pouco menos para conseguir amá-lo, enfim, exatamente como ele é - o que Nietzsche denominou amor fati (ou também 'a inocência do devir'), o amor do presente, como ele se apresenta. É aí que Nietzsche se aproxima de certos temas das sabedorias antigas, sobretudo do estoicismo e do budismo: a nostalgia do passado e a esperança de um futuro melhor nos afasta, segundo eles, da verdadeira sabedoria que consiste, tanto quanto possível, em se reconciliar com o que existe, vivendo, assim, na única dimensão real do tempo, isto é, o presente (já que o passado, não existindo mais, e o futuro, que ainda não existe, são apenas formas do vazio)."

 

Luc Ferry, Famílias, amo vocês - Política e vida privada na era da globalização


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