Povos colecionadores de megadiversidade

22/01/2019 11:52

"Essa coevolução não se dá em bancos de germoplasma, onde as variedades estão depositadas para se conservarem sem mudanças. Por isso é essencial que eles continuem a ser cultivadas. Órgãos científicos cuidam disso mediante pesados investimentos. Mas povos indígenas e comunidades tradicionais também mantêm por conta própria, por gosto e tradição, as variedades em cultivo e observam as novidades. É por isso que no Alto Rio Negro há mais de 100 variedades de mandioca; nos caiapós, 56 variedades de batata-doce; nos canela, 52 de favas; nos kawaiwetes , 27 de amendoim; nos wajãpis, 17 de algodão; nos baniuas, 78 de pimenta - sem falar na diversidade de espécies em cada roçado e quintal. Para os caiapós, bonito é um roçado com muita diversidade, pois os povos indígenas saõ mais do que selecionadores de variedades de uma mesma espécie. Eles são, de fato, colecionadores."

 

Artigo Povos da megadiversidade, de Manuela Carneiro da Cunha, publicado no jornal Piauí de janeiro de 2019


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