Panorama da Filosofia no Brasil

06/02/2018 18:40

"Já no século passado (XIX), com o estabelecimento das Faculdades de Direito de São Paulo e do Recife, para elas se deslocaram os centros irradiadores de nossa cultura. O sacerdote cedeu lugar ao bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, operando-se desse modo, uma profunda alteração no estilo de nosso filosofar. Quanto ao objeto e ao conteúdo dos estudos, fácil é perceber que os espíritos se sentiram mais atraídos pela problemática política e social, passando as questões ontológicas para um plano secundário, até serem sumariamente postas de lado, sob o impacto do naturalismo científico que arrogantemente deblaterava contra a Metafísica, sem se aperceber de seus irredutíveis pressupostos metafísicos; quanto à orientação metodológica, se houve menor confiança nos poderes da razão, acentuou-se uma tendência já em germe na primeira fase, para o ecletismo ou a conciliação de doutrinas, primeiro com o espiritualismo de Cousin e, depois, com o naturalismo, cujos princípios alguns pensadores, como Tobias Barreto e Sílvio Romero pretenderam, a todo transe, debalde conciliar com a filosofia crítica de Immanuel Kant."

 

Miguel Reale, jurista e filósofo, citado por Luís Washington Vita em Panorama da Filosofia no Brasil


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