O mito da riqueza do nióbio

08/11/2018 14:39

"Existe a lenda de que o nióbio é um tesouro gigantesco, capaz de transformar o Brasil em um país rico e de primeiro mundo. Evidentemente, isto não é verdade, pois nenhum país da dimensão do Brasil seria capaz de se sustentar com base em poucos produtos fornecidos pela Mãe Natureza. Como disse Adam Smith, em 1776, o que faz a riqueza de uma nação é o trabalho. Os países ricos são aqueles que contam com uma ampla rede de trabalho produtivo e uma população educada e com alto investimento em ciência e tecnologia. A dita salvação pelo nióbio é a atualização do mito do Eldorado, que sustenta o sonho da riqueza fácil, presente nas colônias de exploração. Foi assim quando os bandeirantes portugueses descobriram ouro e diamante nas Minas Gerais. De certa forma, foi assim também nos governos petistas, que viram no pré-sal um “passaporte para o futuro” e um “bilhete premiado. Os ciclos de exploração mineral e natural podem enriquecer alguns, mas não sustentam um projeto de nação. O extrativismo – tanto de direita, quanto de esquerda – não é a solução mágica para o progresso do Brasil, especialmente nestes tempos de degradação ecológica e de um horizonte marcado pela possibilidade de um colapso ambiental."

 

Entrevista de José Eustáquio Diniz Alves, doutor em Demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - Ence/IBGE, para o jornal IHU Online em 8/11/2018


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