Mencken e o livre-arbítrio

10/04/2016 19:56

"O livre arbítrio, segundo consta, continua um dogma essencial à maioria dos cristãos. Sem ele, as crueldades de Deus esticariam a fé até um ponto de ruptura. Mas fora do aprisco das ovelhas, parece estar caindo gradualmente em desuso. Os cientistas aplicaram-lhe golpes feios, e mesmo entre os leigos de mente mais inquisitiva o livre-arb´trio parece estar cedendo o lugar a uma apologética espécie de determinismo - um determinismo, pode-se dizer, temperado pela observação deficiente. Mark Twain, bem no fundo, era tal determinista. Em seu O que é o homem? pode-se flagrá-lo dando adeus ao livre-arbítrio."

"A inutilidade do livre-arbítrio é comumente denunciada como capaz de subverter a moral e fazer a religião de palhaça. Tais objeções tão pias não têm um pingo de lógica, mas vamos abrir uma exceção nesse caso e dar uma olhada nelas. Elas se baseiam na caprichosa hipótese de que o determinista foge ou tenta fugir às consequências dos seus atos. Nada poderia ser mais falso. As consequências se seguem aos fatos, implacavelmente, sejam eles voluntários ou involuntários. Se assalto um banco por minha livre decisão ou em resposta a alguma necessidade interior indondável, não importa: vou para a mesma cadeia. Na guerra, morrem tanto os soldados convocados à força quanto os voluntários."

 

H. L. Mencken, O livros dos insultos

 


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