A queimada

13/09/2020 14:24

"Restam os tocos em brasa... Onde os ninhos? Onde os aranhóis crivados de gotas brilhantes oela manhãs? Onde as caças das tocas? Onde as parasitas solitárias e lindas, ramadas floridas? - Na terra um pó cinzento-negro; no ar, cinzas que vagam ao capricho do vento! Tudo destruído, tudo! Cepos fumegantes aqui e ali... Últimos estalidos no tronco do cedro e do guaraiúva ...E os homens, suados, no terreiro, arquejantes, enxugando o suor negro nas mangas de camisas, mascarados pela cinza, tomam o café reconfortante antes de partirem, silenciosos, para suas casas. E à noite, ao longe, no alto, ao passar o vento mais forte, de quando em vez, como um farol, a labareda acorda nos galhos da perobeira, em tochas assanhadas, no silêncio da noite, fundo e doloroso silêncio de sertão!"

 

Cornélio Pires (1884-1958), jornalista, escritor e folclorista, em Nunca mais!..., do livro Quem conta um conto...

 

 


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